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[domingo, 6 de março de 2011]

Soneto do Tolo Amante

O coracao do poeta torna-se fraco ao sabor de novos amores
e estes entrevistos e ultrapostos marcam a ferros o olhar
de um triste boemio que soube a dor na passagem das flores
e prima e perde a ultima dama que o honrara envolta em ar

Como se pode conceber verter tanta alegria em magoa afã?
Pungir os lindos cantos que outrora fez à sua amada flor
Redundante se torna ao ferver os sonhos num mero cancã
Esmigalhando as lindas noites de amar em amar a sua dor.

Passa em seus olhos o vento frio que lhe traz a calmaria
Perpassa lhe o rosto a frialdade febril de um novo enlace
Esmera-se de dar-se-lhe um sorriso ao antigo amor que morria

Beija a mão do adeus e fenece à gloria desta nova linda face
Perdendo-se o pobre em remeter a novas coisas o que ja havia
Embica uma historia de amor perfeita até que o ardor passe.

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:05


Soneto de revelação

Muito antes de ter-vos lido
Nos olhos a sentença que enlaça
Os mistérios graves de Deusas e argüido
às bacantes se anjos frios me trariam graça.

E perquirindo as deidades diáfanas
Intrínsecas aos vossos modos, auras de cupido
De modo que arrastas airosa em minhas aras
Mormente extirpas a antiga gloria dos tempos idos

Dentre as premissas de amor encarcera
Dar-vos os cultos e padecer à vosso pesar
Em cujos epílogos postergam a cediça parte

Sulfura e canônica, edênica como tal esmera
Transmitindo ao rubro a clareza de per si estar
Vivificando na luz cega, usurpada toda arte!

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:05


Soneto de Espera

Perdido o sonho ao doce par do melhor amigo
Sorrindo se vai adejante o triste solsticio
Relembrando das aventuras e marcas consigo
Do gostar perdido almeja rever-nos ficticio

Pesar e dura chama que alenta do tolo rico
Exaspera-se o amor na pratica deste artificio
De relembrar o pranto suplantadando o fico
Impulsionando o peito a amar outrem de oficio

Mas doce continua sendo o pesar e o prestar
Resigna-se logo o peito a reter fulgurante
Decerto prevendo o proximo passo a arquejar

Torturado pela reminiscencia cada instante
Tal magoa como tempo quisera mesmo estancar
Vacila ao rever ilusao mero sonho distante

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:05


Soneto da Musa Cálida

O ouro e prata cinzeladas e esmerilhadas com ardor
Nao refulgiriam nem haveriam de recordar mais belo
Que tua candida figura rutila embora palida a cor
Tanto trabalhada que fostes por te criar a esmero

Deu-te o Criador beleza edenica e simples fingir
Que dos atos em apertos reduzem ao nada o que creio
De amar a beleza gasta a vida em doce vão sorrir
Vendo-te nao enxerga os olhos da rutilancia e freio

Que nos impõe a tua mesma beleza que nos fascina
Impele-nos a procurar vos sempre e sempre açodados
Humilha aqueles que pretendem vos ter por sina

Mas contetam-se com a beleza antes mesmo o enfado
De teus olhos radiantes entorpecidos na rotina
E dos nossos as lagrimas por nao ter-vos, o agrado.

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:04


Soneto à tentação.

Diabólica figura que a tudo põe demérito que no peito enseja
quando a lucífera altura encobridora do redor em belos seios
lúridos que interpelam a quem os pressente, posto não os veja
extirpando do bem o mau, e da libido obstruindo tais freios

Animando a morta rosa das falácias imensas adejadas em ter,
não mais que os mendigos que buscam o alimento para postergar
toda a dor que passa-se no peito, de dos nobres sonhos corpos ver
inanimados pela vâ ferronha prece do abandono, a delirar seu par

Tremeluzindo às fontes de tua devassa luz, que a tudo profana
num mistério de irisada graça insensata reflexão sobeja olvidar
os espectros fatais e irremissíveis dos erros de vossa alma humana

Retiras o alento daquele que vos ama, com olhares de passar
cálidas intensidades que refulgem a mente que tornaste insana
com fidalga ilustríssima silhueta premente desse triste forçar.

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:03


Soneto a vós

Havendo enfim entre a lascívidade
A devassidão entorpecedora e diáfana graça
Poderia levar-vos o sonho à divindade
Salvo rebuscada não fosse a beleza que passa

Diante dos olhos que irados ululam
Ao padecer à visão da lua em amplitude
Cotejando as ondas, adentre a frente punjam
Esvaindo a solidão em dor, alter magnitude

Desenlace vos embora dos grilhões do adágio
Premente ilibando a edênica fonte que o valha
Cortejando-vos em alma, mormente o sufrágio

Primar-vos pela pureza, adejando extirpar a falha
Rubrificando a tez, incitando o pulso ao ágil
Torna-se tolo, ante a corte o nobre, o povo malha.

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:03


Soneto à platônica amante.

Como a negra donzela que observa tristemente o crepúsculo solar
Adejando trôpega o penar sob a risca irrisória da vã calidez
Primas pela solidão e sentimentos dantescos de maior pesar
Escondendo más mentes, as chimaeras em tola e doce cupidez

Torta e manchada se torna a beleza etérea, morta e inglória
Dissonante em vosso olhar, na ara que sacrificas o louvor
Dando a todo aquele que vos busca no ermo, certa vitória
Reflexo universal da concupiscência deleitada ao amor

Perpasse de cruel modo o querer e o penar evanescente
Curando as chagas temerosas dos platônicos rompantes
De amores tantálicos de assídua admiração outro presente

Sendo pérfida a languidez que desperta nos seios amantes
De tua pretensa inocência, despertada a libido intumescente
Entre os gritos sensuais encobertos sob um peito arfante.

Manoel Felix Pessoa Neto



por LeviandadesPoeticas * 14:00


O deslumbrar de um novo estilo.



por LeviandadesPoeticas * 13:59